“What counts in life is not the mere fact that we have lived. It is what difference we have made to the life of others that will determine the significance of the life we lead.”

Nelson Mandela

Quisera eu poder fechar meus olhos…

Só de fechar meus olhos, posso ver aquele seu sorriso pretensamente inocente, de quem não tem nada a esconder. Posso reviver cada instante, tão efêmero quanto sua presença, tão intensos e devastadores.

Só de fechar meus olhos,  posso sentir seu perfume invadir minh’alma e levar consigo os resquícios de minha sanidade. Posso reinventar cada silhueta naquelas noites escuras, cada toque trilhando um caminho inédito, sem qualquer precedente.

Só de fechar meus olhos, posso lembrar de tantas sensações misturadas,  eu ainda sem saber se gostava ou não de tudo aquilo que estava me acontecendo. Posso reavivar a dor de saber que tudo aquilo estava acabado, sem ao menos saber se era isso mesmo que eu queria.

Só de fechar meus olhos, posso ouvir a tua voz, tão doce calma e gostosa, ao me contar uma série incontável de mentiras que, sabe lá Deus o porquê, eu resolvi acreditar. Posso pensar no pesar de compreender que não me dera importância, que eu fora somente um corpo, um rosto.

Fecho, então, mais uma vez, meus olhos, na esperança de que a lembrança um dia irá desaparecer, e que eu possa esquecer-me, de fato, desta dor que não faz sentido, deste alguém que deveria ser também só um corpo, um rosto, mas que me marcara para todo o sempre.

 

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Fernando Teixeira de Andrade.