“E as pilhas de envelopes
Já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço
Fazem montes pela sala
Hoje são a minha cama
Minha mesa, meus lençóis
E eu me visto de saudades
Do que já não somos nós…”

(As cartas que eu não mando. Leoni.)

“When will I see you again?
You left with no goodbye, not a single word was said
No final kiss to seal any sins
I had no idea of the state we were in

I know I have a fickle heart and bitterness
And a wandering eye, and a heaviness in my head
But don’t you remember, don’t you remember?
The reason you loved me before
Baby please remember me once more

When was the last time you thought of me?
Or have you completely erased me from your memories?
I often think about where I went wrong
The more I do, the less I know…”

(Don’t you remember. Adele.)

felicidade-no-trabalho

“Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz…
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto…
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz….”

(Fotografia. Leoni.)

A arte de amar

cor_do_amor

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

 Manuel Bandeira.

“Olhando o relógio…
O tempo não passa…
Quando eu me afasto de você…
Mas se, de repente, ele fica apressado
E as horas disparam…
É só porque encontrei você…”

(Melhor pra mim. Leoni.)

libertação

O canto do pássaro preso arrebentava

no gradil acinzentado.

Nunca vira  galho de árvore

ou verde do fresco mato.

Piava baixinho,

e caminhava miúdo.

 

Tresvariado, delineava em sua canção uma aquarela,

para pintar aquele seu universo em tons pastéis…

Delirava uma natureza caleidoscópica,

um sem fim de linhas e cores…

Enquanto bicava, de quando em quando, a comida sem cor e insossa

deixada em um canto.

 

Cantava a tristeza do que não conhecia,

daquilo que não vira do outro lado do muro.

Sua barriguinha amarela se refrescava

em um pequeno vasilhame gris.

E os vultos que perpassavam o recinto

não notavam seu tom consternado.

 

Do outro lado do cômodo que o aprisionava,

o vento uivava até as proximidades da janela, sacolejando as cortinas.

E sentira, pela primeira vez,

o aroma adocicado do novo.

 

Remexeu-se em alvoroço,

e seu canto arrebentou em uma melodia desafinada.

Surgira, pois, um transeunte curioso

pela agitação febril daquele pássaro de barriga amarelada.

Em um gracejo, abriu-lhe as portinholas desgastadas

e o animalzinho respondeu-lhe com piados entusiasmados, beirando o desvario.

Seus passos miudinhos se agigantaram,

rumo ao mato verde e fresco que o esperava lá fora.