Mulheres de minha vida

Três elas eram.

Cada qual tão diferente.

Um sonho, um porto-seguro, uma obsessão.

Minh’ alma.

Meu corpo. Minha mente confusa.

Embaralhado em tantos véus

Não mais sinto,

Sinto muito…

O que sentir?

Meu eterno passado, um possível presente…

Um futuro imediato.

Espelho: uma visão simplista,

Não-verdadeira.

Meus olhos: caleidoscópio sem luz,

Presos a uma imagem que detesto abandonar.

Identidade que não reconheço.

Indecisão da qual não me despeço.

Tudo quero ter em minhas mãos…

Não há só um caminho.

Por que não? Por que não eu?

Simples, conciso, direto.

O passado me atrai.

Não quero deixá-lo aonde é seu lugar.

Meu gosto pelo sofrimento

A cada doce e terno momento

Que destruí com minha cegueira desmedida.

Desdém, me convém.

Pelo que sinto?

Não.

Ao que necessito as sensações falam por si…

Em ti encontro-me.

Sem você não sei viver.

És meu porto-seguro.

 Estou com saudades de você…   

 

Quantas palavras ao vento?

Qual será o verdadeiro sentimento?

Por que diabos penso que sei o que é amar?

Prometi a mim mesmo

Jamais te abandonar.

Estarei ali

Tal qual fantasma.

Não te deixarei viver

Não suportarei uma perda.

Não mais.

Quero estar ao teu lado.

Relembrar o teu passado.

Segurar-te nas trevas

Afastar-te da luz.

És aquela que me seduz

Me tenta e me guia.

Protege e ama.  

E quero o carinho de outras.

Olhar nos olhos de outrem e dizer eu te amo

Meramente obcecado.

Cedo ao beijo tentador

Que amargamente lhe provoca.

Machuca.

E ignoro.

O que desejo de ti?

Não os culpo

Feridas abertas

Que jamais deixarei que curem por si.

Irei procurar

Em teus olhos a única verdade

Ignorar própria consciência e vontade.

Só para a teu lado estar.

Ela sabe o que quer.   

Voltou para te assombrar.

Beijo-te pelo simples ato de beijar.

Procuro o amor. Quero encontrá-lo.

E sufocá-lo. Até seu triste fim.

E jamais escutá-lo

Enquanto minha vontade for a de dizer sim.

Anúncios

Encontros celestes

O céu estava diferente. Seu tom pálido, a rosa cálida…meu olhar perdido. Ahh que louca vontade de gritar, pra que todos ouçam minha agonia que um dia fora uma bela canção. O que eu também não entendo…. É tão doce te amar… amargo é te querer pra mim… Sabendo que teus olhos não mentem, dizem que seu amor não é meu, e insisto, persisto nesta contradição. Dize que me queres e porque nao acredito? Este céu ameno, quase tão anêmico quanto eu. Doente, de repente…não mais vem o sol iluminar meu rosto.

Confusão…mas que direção devo tomar? Frustrei-me com planos e palavras bonitas…Se queres apenas o meu corpo , pois deixaste jazir esta alma em algum lugar tão inóspito e inadequado. Louco torpor, sinto uma dor que está por fim inibida. Sufoco-me, derroto-me antes mesmo do fim.

Meu riso, sem juízo…fora de um pensamento perfeito. Me rejeito, sem opção…tantas nuvens cobrem este céu como ao meu coração. Este aperto inexplicável deveria algum instante parar. Não sofro por amor, tanto menos por paixão…mas sinto algo em mim, despertando emoção. Não são bons os versos, a prosa menos ainda…  Rimo tantos vocábulos…esperando por tua vinda.

Não à decepção. Sim ao amor. Neste céu já é noite, embora nem uma estrela brilhe. Nesta cidade fechada, sufocante, assusto-me com algo que persegue e tenta. É apenas minha sombra…