O último poema


Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira. O último poema.

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Flor branquinha

 

“Numa manhã, Glória entrou radiante. Eu estava sentado na cama e olhava a vida com uma tristeza de doer.

– Olhe, Zezé.

Em suas mãos existia uma florzinha branca.

– A primeira flor de Minguinho. Logo ele vira uma laranjeira adulta e começa a dar laranjas.

Fiquei alisando a flor branquinha entre os dedos. Não choraria mais por qualquer coisa. Muito embora Minguinho estivesse tentando me dizer adeus com aquela flor; ele partia do mundo dos meus sonhos para o mundo da minha realidade e dor.

[…]

Eu não queria deparar com o desencanto de Minguinho. Luís são sabia que aquela flor branquinha tinha sido o nosso adeus.”

 

José Mauro de Vasconcelos. Meu Pé de Laranja Lima.