
Em dias de chuva.
novembro 7, 2011Mas é bem provável mesmo que somente eu tenha essas dores agudas no peito em dias de chuva. Esse hábito de observar dias cinzentos e sentir a tristeza neles, de sentir tristeza por eles. Só mesmo eu tenho tempo pra isso. Mesmo com toda essa chuva lá fora, o mundo continua se movendo, as pessoas continuam passando, os carros permanecem em seu curso inevitável aos afazeres de uma segunda-feira mais que comum.
Ninguém observou a falta das nuvens no céu, a falta de expressividade nesse céu que ontem mesmo irradiava a felicidade de um domingo ensolarado e extasiante. Hoje, as cobertas estão jogadas pelo chão do quarto, mesmo que a vontade seja a de me jogar pra debaixo delas e não sair de lá enquanto todos os meus problemas não estejam todos resolvidos.
Não adiantou fazer mingau quentinho, encher a mesa de livros a minha volta, pra me dar aquela confortante sensação de que eu estou estudando e meus trabalhos estão se escrevendo sem a minha ajuda. Não adiantou também trancafiar-me em casa, fechar portas e janelas, aumentar o som do meu rádio e ouvir músicas antigas que costumavam perpetuar a sensação de torpor. Não foi o suficiente manter-me em silêncio durante um dia inteiro e deixar de lado todas as minhas obrigações…
É como observar uma fotografia sem vida, esperando assistir uma grande produção hollywoodiana em minhas mãos. Quero sentir minhas pernas fraquejando, perdendo meu chão ao bater meus olhos em você, sentir o mundo rodar em uma fração de segundos e sentir-me tonta pelas próximas semanas. Quero ser egoísta, e tomar a liberdade que lhe dei de amar quem você quisesse. Quero esquecer meus problemas, e deixar de observar esse céu meu, esse céu eu, que mostra umas gotas quaisquer que caem, um choro incontido, que dos meus olhos não saem.