Me disseram que eu era apaixonante. Ou melhor, uma pessoa disse. Uma única vez. Certamente, o elogio mais enebriante que já recebi. E como não seria? Poder cativar as pessoas por um olhar, por gestos simples, pela conversa interessante, e por tantos atributos que mal sei enumerar.
Mas são obviedades. Pois se eu fosse realmente apaixonante, saberia as características necessárias para ser uma pessoa de tais qualidades. Mesmo que eu possa elencá-las em outra pessoa, não sou capaz de enxergá-las em mim, pelo óbvio.
Não sou o tipo sedutora, misteriosa. Sou sistemática, um livro aberto mais que transparente, que pouco tem a oferecer. Não tenho os encantos de uma menina meiga e tranquila, sou nervosa, autoritária e territorialista… Não sou uma pessoa de andar fluido e modelar, sou daquelas que se perdem nas distrações de sensibilidades inúteis.
Não possuo uma beleza estonteante, deslumbrante. Sou, antes, uma mulher que tenta fazer-se vista em seu lugar, com pouco sucesso. Nunca fiz uma pessoa tremer em suas bases por me ver, tampouco perder a fala ou me amar em silêncio. Conheci o que era o amor uma única vez, assim como aquela frase com três palavras e um encanto que não perdurou.
