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Tudo era cinza

novembro 6, 2011

Era silencioso o quarto. Somente esse som de nada lhe restara. Seus pensamentos esperneavam, seu coração acelerava em uma raiva descontínua, e ofegava em sua respiração. Não distinguia formas ou cores, tudo era cinza, sem gosto e sem cheiro algum.

Sua mente divagava em momentos simples, conversas banais e agradáveis que lhe compraziam o ânimo, e que agora eram puro silêncio. Ah, que sensação mais devastadora! Essa, de quando se sente usurpado de um bem que nunca lhe pertenceu. Já se fora a voz, o abraço, o amor. Nada disso existiu.

Deixou embeber-se pelos sonhos, num fluido dançar surdo, onde as palavras pareciam preencher um vazio há muito existente. Agora, o espaço desocupado parecia bem maior do que antes. Era um aperto no peito, como se pudesse sentir, literalmente, como é ter um coração partido.

Seus olhos permanecem secos, embora sua alma pareça desvelar o pranto em uma voracidade incontrolável. Suas mãos estão trêmulas, mal escreve e tampouco consegue dizer o que sente. Escolheu calar-se por amor. Guardou-se em uma prisão para que outro pudesse ser livre em seu lugar.

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